Carolina Araújo Sarmento de Azevedo
MODELAGEM DAS EMISSÕES DE H 2 S EM LAGOAS DE ESTABLIZAÇÃO ANAERÓBIA E FACULTATIVA
Resumo
As emissões de sulfeto de hidrogênio (H₂S) provenientes de Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) constituem uma importante fonte de incômodo odorante, especialmente em sistemas de lagoas de estabilização inseridos em áreas urbanas. Nesse contexto, este estudo teve como objetivo estimar as taxas de emissão de H₂S em lagoas de estabilização anaeróbia e facultativa, considerando a influência das características físico-químicas da fase líquida e das condições meteorológicas sobre os processos de transferência do composto para a atmosfera. A pesquisa foi desenvolvida na ETE do Campus A. C. Simões da Universidade Federal de Alagoas (CACS/UFAL), em Maceió-AL, composta por lagoa anaeróbia seguida de lagoa facultativa. Foram realizadas campanhas de monitoramento entre março e outubro de 2025, contemplando parâmetros físicos e químicos da fase líquida, com destaque para temperatura, DQO, DBO, pH, sulfato, sulfeto, nitrogênio total, nitrogênio amoniacal e fósforo. As emissões de H₂S foram estimadas considerando dois mecanismos de transferência: volatilização superficial, por meio da teoria das duas resistências e do modelo Prata-Brutsaert, e transporte associado às bolhas de biogás, conforme o modelo de Paing et al. (2003). Os resultados evidenciaram alterações nas características do sistema após a paralisação da lagoa anaeróbia, associada a um vazamento ocorrido em agosto de 2025, com aumento das concentrações de DQO e sulfato e mudanças na qualidade do efluente da lagoa facultativa. Na lagoa anaeróbia, a maior taxa de emissão superficial ocorreu em julho, com média de 66,49 mg/s, enquanto na lagoa facultativa as maiores emissões foram observadas após a paralisação da unidade anaeróbia, atingindo média de 1.196,21 mg/s em agosto. Para a emissão por ebulição de biogás, observou-se forte influência do pH sobre a disponibilidade de H₂S molecular, sendo registrada taxa de 314,59 mg H₂S/m².d em julho. Conclui-se que alterações na operação das lagoas podem modificar significativamente o potencial de emissão de H₂S, reforçando a importância da caracterização temporal das condições do sistema para avaliações de impacto odorante mais representativas.
