Rafaela Barbosa de Souza

Defesa

IMPACTO DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA CAPTURA DE CARBONO EM BIOMAS VULNERÁVEIS

Resumo

A Caatinga e a Mata Atlântica são biomas fortemente pressionados por atividades antrópicas, resultando em perda de biodiversidade, degradação do solo e contaminação dos recursos hídricos e atmosféricos. No estado de Alagoas, historicamente, o desenvolvimento econômico está associado à monocultura da cana-de-açúcar, à industrialização e à urbanização, processos que contribuíram para o aumento das emissões de CO₂. Nesse contexto, ações como o reflorestamento e o manejo florestal sustentável são alternativas relevantes para ampliar o sequestro de carbono. Este estudo teve como objetivo avaliar o potencial de sequestro de carbono em Unidades de Conservação de Proteção Integral inseridas nos biomas Caatinga e Mata Atlântica, em Alagoas. Para isso, foi analisada a transição do uso e cobertura do solo ao longo de uma série histórica de 39 anos (1985 – 2024), considerando todo o estado, os dois biomas e as UCs de proteção integral. A partir dos dados obtidos, calcularam-se os estoques de carbono de cada unidade e o sequestro anual correspondente. Em seguida, foram propostos cenários de recuperação das áreas de uso antrópico presentes nas UCs e estimados os valores monetários associados ao potencial de sequestro de carbono desses cenários. Os resultados mostram que cerca de 21,5% do território alagoano mantém cobertura vegetal natural, percentual inferior ao limiar ecológico necessário para a manutenção dos processos ecossistêmicos. A Mata Atlântica apresentou o maior nível de impacto, com intensas taxas de desmatamento e expansão urbana e agrícola. A Caatinga, embora menos desmatada, demonstra alta vulnerabilidade e redução de suas formações naturais. Nas UCs de Proteção Integral, verificou-se um estoque atual de 1.486.918,27 MgC e um balanço anual negativo de -93.927,27 MgC/ano, indicando que parte dessas áreas ainda atua como fonte líquida de emissões. O cenário de restauração integral projeta um aumento do estoque para 1.972.288,73 MgC e um sequestro anual de 391.443,19 MgC/ano, além de retorno econômico estimado em mais de U$ 9,5 milhões no mercado de carbono. Assim, os resultados evidenciam que a restauração ecológica das UCs da Caatinga e da Mata Atlântica é fundamental para ampliar o sequestro de carbono, restabelecer funções ecossistêmicas, mitigar as mudanças climáticas e impulsionar oportunidades econômicas sustentáveis para o estado de Alagoas.

Palavras-chave

Recuperação de áreas degradadas
Uso e cobertura do solo
Serviços ecossistêmicos
Fluxos de carbono.

Membros da Banca

Karina Ribeiro Salomon (Presidente)
UFAL
Fernanda Santana Peiter (Interno(a))
UFAL
Manoel Mariano Neto da Silva (Interno(a))
UFAL
Stoécio Malta Ferreira Maia (Externo(a) ao Programa)
USP
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Rafaela Barbosa de Souza
Local
Sala Conselho/Híbrido