Maria Kelyane Miguel da Silva

Defesa

Produção de biohidrogênio em um reator anaeróbio de leito fluidizado utilizando efluente de cervejaria artesanal

Resumo

A previsibilidade do esgotamento das reservas de combustíveis fósseis, aliada às consequências ambientais decorrentes de seu uso contínuo, tem impulsionado a busca por novas alternativas de geração de energia voltadas à sustentabilidade. Nesse cenário, a valorização de efluentes industriais por rotas biotecnológicas surge como estratégia atrativa, ao possibilitar a recuperação energética associada ao tratamento do efluente. O setor cervejeiro, por sua vez, gera grandes volumes de efluentes líquidos com elevada carga orgânica e potencial poluidor, exigindo tratamento adequado antes do seu descarte. À vista disso, o objetivo deste estudo foi avaliar a produção de hidrogênio em um reator anaeróbio de leito fluidizado, operado sob variação do Tempo de Detenção Hidráulica (8h a 2h), utilizando o efluente de cervejaria como substrato. O delineamento experimental foi composto por um Reator Anaeróbio de Leito Fluidizado, operado sob temperatura ambiente, durante o período de 80 dias. O pH manteve-se majoritariamente no intervalo favorável à acidogênese, com instabilidade na fase de TDH 4 h associada à troca de lote do afluente e posterior recuperação no TDH 2 h, indicando adaptação do consórcio microbiano. Os resultados apontam que a conversão de carboidratos aumentou com a redução do TDH, com eficiências médias de 49,83 ± 22,51%, na fase de adaptação (8 h) e valores em torno de 60–63% nas fases subsequentes. A remoção de DQO diminuiu gradativamente com a redução do TDH (31,57 ± 14,94% em 8 h para 16,75 ± 6,78% em 2 h), comportamento esperado em sistemas direcionados à produção de H₂, nos quais a matéria orgânica é convertida em metabólitos fermentativos. O rendimento de hidrogênio aumentou com a diminuição do TDH, atingindo HY máximo de 29,305 mol H₂/mol glicose em TDH 2 h. De forma similar, a produção volumétrica de hidrogênio, também, apresentou maiores valores com a diminuição do TDH, alcançando HPR máxima de 0,9261 L -1 .H₂·L -1 reator ·h⁻¹ em 69 dias de operação, com TDH de 2 h. É possível concluir, que TDHs mais curtos favorecem o a fermentação escura no RALF para produção de H₂, mantendo condições acidogênicas adequadas e maior eficiência relativa de conversão para hidrogênio.

Palavras-chave

Biocombustível
Digestão anaeróbia
Fermentação escura
Tempo de detenção hidráulica
Tratamento de águas residuárias.

Membros da Banca

Eduardo Lucena Cavalcante de Amorim (Presidente)
UFAL
Renata Maria Rosas Garcia Almeida (Interno(a))
UFAL
Amanda Santana Peiter (Externo(a) ao Programa)
UFAL
Nadjane Leite dos Santos Telles (Externo(a) à Instituição)
UFAL
Informações da Sessão
Out 22
Data e Hora
Terça-feira, 14:00h
Candidato(a)
Maria Kelyane Miguel da Silva
Local
Sala de aula do PPGEQ