Universidade Federal
de Alagoas – UFAL
Centro
de Tecnologia –
CTEC
Departamento de Engenharia Estrutural
– EES
Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Civil
– PPGEC
Disciplina: Instabilidade das Estruturas (EES-104)
Professor: Eduardo Nobre Lages (enl@ctec.ufal.br)
Assunto: Efeito do Cisalhamento na Carga Crítica da Viga de Timoshenko
Data: 24/11/2004
CINEMÁTICA
Para
a viga de Timoshenko são
assumidas as seguintes hipóteses
cinemáticas:
- A seção transversal
plana permanece plana
após a deformação da viga,
mas não mais
perpendicular à direção local
do eixo deformado;
- Não se
considera variação na altura da seção
transversal durante
o processo de deformação da viga;
- O eixo horizontal
do sistema de referência
da viga intercepta os centróides das seções
transversais;
O plano
do sistema de referência
XY intercepta as seções transversais
ao longo da viga
em eixos principais
de inércia.


























Figura 1 – Cinemática da viga de
Timoshenko.
As coordenadas finais
dos pontos materiais são
determinadas compondo-se as seguintes
transformações geométricas:
- Translação da seção
para o eixo Y;
- Cisalhamento em
X da seção;
- Rotação
da seção;
- Translação da seção
para a posição final.
Essa composição de
transformações geométricas, em coordenadas
homogêneas, é representada matematicamente pela seguinte
operação matricial:

que
expandindo conduz a

Fazendo-se uma expansão
em série de Taylor
nas variáveis
e
, e retendo apenas os termos
lineares, tem-se

o que
permite representar o campo de
deslocamentos de um ponto qualquer
pelas seguintes expressões:

onde
os campos
,
e
são
funções da coordenada
axial
.
DEFORMAÇÕES
A seguir,
estudam-se as deformações linear
e angular a partir das expressões
gerais das deformações
não lineares de
Green-Lagrange, dada por

Para o modelo em
questão, tem-se que


representando,
respectivamente, as deformações
linear e angular de um
ponto qualquer da viga.
Diante das simplificações anteriores,
verifica-se que a deformação
linear apresenta a não linearidade
com o deslocamento transversal,
assim como a deformação
angular foi admitida linear.
ENERGIA DE DEFORMAÇÃO
Admitindo-se um
comportamento elástico
linear para o material
da viga, a energia interna
de deformação é dada por

cuja
integração no volume
pode ser desmembrada em uma integração
ao longo da seção transversal
e ao longo do comprimento
da barra, ou seja,

Como o eixo X
foi admitido passando pelo centróide da seção
transversal, a integração
na área leva a

onde
a área considerada na última
parcela sofre uma correção
para consideração da real
distribuição não linear
das tensões de cisalhamento ao longo
da altura da seção transversal.
ENERGIA POTENCIAL TOTAL
Como
exemplo ilustrativo,
estuda-se a viga engastada e livre
esquematiza na figura abaixo.


Figura 2 – Condições de vinculação e carregamento da viga.
Sob essas condições
de vinculação e carregamento,
a energia potencial total
é dada por

que
incorporando o potencial das cargas
externas na forma integral
leva a

TRAJETÓRIA FUNDAMENTAL
E CONFIGURAÇÃO ADJACENTE
Para
o problema em questão,
a trajetória fundamental
é caracterizada pelo seguinte campo
de deslocamentos:

Admitindo-se uma configuração
adjacente, essa é definida
por

Para
a configuração adjacente, a energia
potencial total é dada
por

que pode ser
entendida como a soma
das parcelas

EQUAÇÃO VARIACIONAL DOS MODOS DE INSTABILIDADE
A determinação
de configurações adjacentes
de equilíbrio é feita
estudando-se a seguinte condição
de estacionariedade:

que
leva a

De posse
da condição de estacionariedade, são
estabelecidas as três equações
diferenciais de equilíbrio do problema,
que são as equações
de Euler-Lagrange do problema variacional, a saber:

Essas equações estão sujeitas às seguintes
condições de contorno,
definidas quando observadas as condições
de vínculo do problema:

Integrando-se a segunda
equação de equilíbrio
e combinado-se com a quinta
condição de contorno,
tem-se que

Explicitando-se
da equação
anterior e substituindo-se na terceira
equação de equilíbrio,
tem-se a seguinte equação
diferencial linear de 2ª ordem homogênea
com coeficientes constantes:

Para que se tenha solução
não trivial,
omitindo-se aqui o estudo
para o coeficiente da função
nulo
e negativo, a solução geral
da equação diferencial se apresenta na forma

onde
o parâmetro
é dado
por

A consideração
da terceira condição
de contorno leva ao valor
nulo da constante
. A sexta condição
de contorno conduz a

Para que o problema
admita uma solução não trivial
força-se que

que
admite solução fazendo-se

A carga crítica
ocorre para n=1, que
após algumas manipulações
algébricas é dada por

onde

corresponde à
carga crítica de
Euler.